sexta-feira, 24 de maio de 2013

Formação Litúrgica - SC 50 anos!!!!

Sacrosanctum Concilium:
Uma novidade conciliar que já alcança 50 anos!

50 anos depois da promulgação da Sacrosanctum Concilium, Constituição do Concílio Ecumênico Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia, com aprofunda reforma que este documento provocou na vida da Igreja, é tempo de reconhecer como sopro do Espírito os passos dados e todas as vitórias conquistadas. A data da comemoração está marcada para dezembro de 2013, mas os preparativos já fazem parte da festa.
Contudo, é tempo também de avaliar e marcar novos começos. Justamente neste momento em que ocorrem ventos contrários que põe em risco a obra do Espírito nos 60 anos do movimento litúrgico e no esforço de renovação de toda a Igreja nestes quase 50 anos.
A Sacrosanctum Concilium lembra que a obra de Cristo elevada a efeito, sobretudo na Liturgia da Igreja, de modo que a Liturgia é momento da salvação, até que um dia o Senhor volte em sua glória para entregar o Reino ao Pai.
A história de Deus com seu povo é uma história de amor. Um amor concreto que vê a opressão ouve as necessidades, toma conhecimento dos sofrimentos, desce para ajudar e salvar (Cf. Ex 3, 1ss).
Na noite pascal, a assembléia celebrante é exortada a escutar com ouvido de discípula “como Deus salvou outrora o seu povo e nestes últimos tempos enviou seu Filho como redentor”. De fato, através dos fatos, acontecimentos, pessoas, profetas, sábios, etc. Deus agiu na história em favor do seu povo e o salvou. Para contemplar a obra da redenção, na plenitude dos tempos enviou o seu Filho único (cf. Gl 4,4). Jesus Cristo, verbo feito carne, ungido pelo Espírito, veio para anunciar a boa nova aos pobres e curar os contritos de coração. Por Ele, sobretudo por seu mistério pascal de sua sagrada paixão, ressurreição e ascensão, foi realizada a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus.
O Sacrosanctum Concilium nos prescreve que esta obra de Cristo é continuada na Igreja que nasceu do lado aberto de Cristo na cruz e continua na sua Liturgia, onde Cristo está presente. (Cf. SC. 5-7).
A necessidade de entrar na nova vida revelada em Cristo nos afirma a Sacrosanctum Concilium que toda a celebração litúrgica é memorial do mistério pascal de Cristo. A Liturgia nos faz ver, contemplar e experimentar a história da salvação a partir do seu cumprimento. (Cf. SC. 9).
 Vamos apresentar de forma sintética o esquema da SC, vejamos:
è Introdução
nn. 1-46: Princípios gerais para a reforma e incremento da sagrada liturgia
n.1: Objetivo Geral do Concílio Vaticano II
nn. 2-4: Objetivo específico da SC com respeito à Liturgia
Capítulo I
nn. 5-8: A natureza da liturgia
nn. 9-13: O lugar da liturgia no conjunto da vida e ação da Igreja e dos fiéis
nn. 14-20: Os Institutos e seminários garantem formadores especializados e que possam iniciar o povo na liturgia
nn. 21-25: Normas gerais para a reforma da Liturgia
nn. 26-31: Normas de índole hierárquica e comunitária
(nn. 30-32: Prever formas concretas, também rubricas, para garantir a participação ativa dos fiéis)
nn. 33-36: Normas de índole didática e pastoral
nn. 37-40: Normas para se realizar a adaptação
nn. 41-46: Incremento da Liturgia nas dioceses e paróquias, a ser incentivado pela pastoral litúrgica
(nn. 44-46: a necessidade de comissões nacionais e diocesanas, de música e arte sacra, com participação de leigos)
Capítulo II
nn. 47-58: O sagrado ministério da Eucaristia – Fundamentação teológica: Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do Senhor, no qual participam os fiéis diretamente
(nn. 51-53: Abrir mais o tesouro da bíblia, insistência na homilia, restauração da oração dos fiéis)
(nn. 54-58: Língua vernácula, pão consagrado na missa atual, comunhão sob duas espécies, concelebração)
Capítulo III
nn.59-82: Outros sacramentos e os sacramentais
(nn. 59-61: Fundamentação teológica deste capítulo – memória da páscoa, sinais eficazes que supõe, alimentam, fortalecem e exprimem a fé, para a santificação do corpo de Cristo, nas diversas circunstâncias da vida)
(nn. 64-65: A restauração do catecumenato dos adultos e sua adaptação)
(nn. 66-70: Batismo de adultos e crianças e sua adaptação)
(nn. 72-78: Sacramento da Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio e respectiva adaptação)
(nn. 79-82: Adaptação a cerca dos sacramentais ao nosso tempo, tendo presente o princípio da participação consciente, ativa e fácil. Menciona as bênçãos, o rito da Consagração das Virgens e as exéquias)
Capítulo IV
nn. 83-101: Ofício Divino (Liturgia das Horas)
(nn. 83-86: Fundamentação teológica deste capítulo)
(nn. 87-89: Fazer cada ofício corresponder à respectiva hora)
(nn. 91-94: Nova distribuição dos salmos e reforma dos hinos)
(nn. 95-101: Possibilitar mais ampla participação, também dos leigos)
Capítulo V
nn. 102-111: Ano Litúrgico
(nn. 102-104: O Ano Litúrgico com seu ritmo diário, semanal e anual, torna presente o mistério da páscoa de Cristo na vida da Igreja. Une à memória de Cristo, a dos mártires e dos santos)
(nn. 108-111: Faz referência à necessária hierarquia das festas e memórias, destacando o tempo da quaresma)
Capítulo VI
nn. 112-121: Música Sacra
(nn. 112-113: Função ministerial do canto e da música, que constituem parte integrante da liturgia. Deve estar unido à ação ritual)
Capítulo VII
nn. 122-130: A arte sacra e as vestes litúrgicas
(122-123: Fundamentação teológica deste capítulo. A arte segundo a índole dos povos e as exigências dos ritos)

            Diante desta motivação teológico-liturgica fica evidente que o Concílio visava não apenas uma reforma externa dos ritos litúrgicos, mas uma nova compreensão da Liturgia, uma nova mentalidade litúrgica, uma renovação também interna, espiritual da Liturgia e da Igreja.
A grande novidade do Concílio Vaticano II nos leva a refletir que a Liturgia leva a efeito a obra da redenção, ela mesma é um momento da história da salvação. Usando categorias bíblicas afirmou ser a liturgia o memorial do mistério pascal de Cristo, ponto culminante de todo o caminho pascal de Jesus e ponto culminante de toda a história de Deus com o seu povo (entre a primeira aliança e o fim dos tempos). Pelo batismo, mediante o Espírito que é fruto de sua páscoa, estamos associados a este mistério pascal (o nosso mistério pascal também faz parte da liturgia; Medellín aprofundou e ampliou esta compreensão da páscoa aplicando-a as lutas e vitórias do povo da América Latina). Não é por acaso que a reforma colocou no coração da prece eucarística a aclamação memorial: Todas às vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos Senhor, a tua morte, enquanto esperamos tua vinda.

Perguntas para Reflexão:

1.      Nestes 50 anos de Sacrossanctum Concilium, qual a motivação que a Igreja tem dado a renovação litúrgica?
2.      Na atual conjuntura a Liturgia celebrada na Igreja, tem seguido o pensamento da SC?
3.      O que podemos fazer para que a SC possa ser mais conhecida e celebrada nestes seus 50anos de existência?



Fontes:
·         Revista de Liturgia, meses de Janeiro e Fevereiro - Março e Abril, nºs. 229 e 230,  p. 3 e 19.
·         VVAA. A Liturgia, Momento histórico da Salvação, São Paulo: Paulinas, 1987, p. 41.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Formação e Informação

O Papel dos Leigos na Igreja
 Uma reflexão baseada na Exortação Apostólica: Christifidelis Laici de 1997 do Papa João Paulo II.
Pe. Marcelo Fróes

Os Leigos são cristãos que têm uma missão especial na Igreja e na sociedade. Pelo batismo, receberam essa vocação que devem vivê-la intensamente a serviço do Reino de Deus.       
Certa vez, falando aos bispos do Brasil em uma de suas visitas “ad limina” o Papa João Paulo II disse a eles: “O fiel leigo, na sua própria vida cristã e em sua atuação na Igreja, não é um mero auxiliar do Bispo ou do Padre. O Batismo lhe dá direito e, portanto, também o dever de realizar em sua existência a ação sacerdotal de Cristo. Daí a justa autonomia do fiel leigo naquilo que lhe é próprio: em qualquer estado ou condição de vida, cada pessoa na sociedade, independentemente da sua raça e cultura, tem o lugar que lhe é devido e é chamada ‘a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no mundo’ (Código de Direito Canônico, 204).”
São Paulo nos lembra: “Vós sois o Corpo de Cristo, e cada um de vós é um dos seus membros” (1Cor 12,27).
“A área específica do leigo é o apostolado no mundo secular, inserido nas realidades temporais, na escola, na indústria, na economia, política, artes, música, etc, participando, como cristão, das atividades do seu estado de vida e trabalho social” ( “Christifideles laici”, 17). O mundo é o campo de trabalho do leigo.
Na Igreja existem as diversas vocações: a sacerdotal, a diaconal, a religiosa e a leiga. Todas são muito importantes e necessárias, pois brotam do Batismo, fonte de todas as vocações.
Antigamente, a missão do leigo era relegada a segundo plano, valorizando-se só o sacerdócio e a vida religiosa. Mas depois do Concílio Vaticano II, a vocação e missão dos leigos foram revalorizadas, conferindo-lhes a mesma dignidade dos sacerdotes e religiosos.
Dentro da comunidade eclesial, os leigos são chamados a desempenhar diversas tarefas: catequista, Ministro da Eucaristia, agente das diferentes pastorais, serviço aos pobres e aos doentes. São chamados também a colaborar no governo paroquial e diocesano, participando de conselhos pastorais e econômicos.
Não como simples colaboradores do bispo e dos padres, mas como membros ativos da comunidade, assumindo ministérios e serviços para o engrandecimento da Igreja de Cristo.
Apesar desses serviços que desempenham na comunidade eclesial, a missão mais importante dos leigos é no mundo. Eles são chamados a realizar sua missão dentro das realidades nas quais se encontra no dia-a-dia.
Na família, no trabalho, na escola, no mundo da política e da cultura, nos movimentos populares e sindicais, nos meios de comunicação, é chamado a testemunhar, pela palavra e pela vida, a mensagem de Jesus Cristo. Nessas realidades, é chamado a desempenhar sua missão, necessária e insubstituível.
Por isso o papel do leigo não é ficar o dia todo na igreja, mas ser fermento nesses campos de vida e de atuação, ser "sal da terra e luz do mundo". Nesses ambientes deve se empenhar para a construção efetiva do Reino de Deus, "um reino eterno e universal, reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz", como rezamos no prefácio da missa da festa de Cristo Rei.
O reino de Cristo cresce onde se manifesta a atitude de serviço, a doação generosa em prol dos irmãos, onde há o respeito pêlos outros, onde se luta pela justiça e pela libertação. E tudo isso acontece de modo especial através da atuação dos cristãos leigos.
Quando os leigos assumem de fato sua missão específica, podemos sonhar com uma nova ordem social. O Concílio Vaticano II e os ensinamentos do papa insistem muito na necessidade de os leigos participarem ativamente na construção de uma nova sociedade, aperfeiçoando os bens criados e sanando os males. Felizmente, muitos têm entendido essa missão e se empenhado para bem cumpri-la.
Vemos com muita esperança o crescimento hoje da tomada de consciência por parte de muitos leigos que compreendem essa índole específica de sua missão. Acreditam nela e procuram exercê-la de modo digno e eficiente para que se faça cada vez mais concreta a promessa de Jesus: "O Reino de Deus está presente no meio de vós."
Devem participar da vida comunitária, buscando nas celebrações, sobretudo na Eucaristia, as forças de que necessitam para bem desempenhar sua missão na comunidade e no mundo.
Através dos leigos, a Igreja se faz presente nos diversos ambientes sociais, impregnando-os da mensagem de Jesus Cristo, semeando os valores evangélicos da solidariedade e da justiça, empenhando-se decisivamente na construção da sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do Reino de Deus.
Mais do que nunca a Igreja precisa hoje dos leigos no campo de batalha do mundo; pois hoje ela é magoada, ofendida, perseguida e tida por muitos como a culpada de todos os males. Escândalos e blasfêmias se repetem a cada dia. Uma escala de valores pagã tenta insistentemente substituir a civilização cristã por uma cultura de morte (aborto, eutanásia, destruição de embriões, contracepção, prática homossexual...); e Deus vai sendo eliminado na sociedade como se fosse um mal, e a religião católica vai sendo atacada por um laicismo agressivo anticristão.
É hora de saber quem é verdadeiramente cristão, quem ama a Deus de verdade, a Jesus Cristo e a Sua Igreja.

Perguntas para Reflexão

1.      Que interrogações, dúvidas ou descobertas te suscitaram a leitura deste texto?

2.      Tens consciência de que a comunhão dos cristãos em geral e entre nós a nível particular, só é possível a partir da comunhão com Jesus?

3.      Em que se fundamenta a dignidade de cada pessoa? Que conseqüências daí derivam? Que compromisso nos pede?

4.      Pensas que é um direito e um dever dos leigos, o compromisso em participar na política? Como se concretiza na tua vida?



Bibliografia:
 - AQUINO, Prof. Felipe. Catequese, Canção Nova.
- FARIA, D. João Bosco Óliver de, Voz do Pastor, Arcebispo de Diamantina.


Espiritualidade do Leigo

O Ano da Fé – Uma perspectiva de voltar às fontes!

Pe. Marcelo Fróes

No dia 11 de outubro de 2011, pela Carta Apostólica “Porta fidei”, o Papa Bento XVI proclamou um novo Ano da Fé, que será de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, Solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II.
O último Ano da Fé proclamado por um papa foi em 1967 quando, após o Concílio Vaticano II, o Pontífice Paulo VI o proclamou e o encerrou com a sua "Profissão de Fé", o “Credo do Povo de Deus”. O objetivo era dissipar os erros de doutrina que se propagavam após o Concílio Vaticano II. Também para que houvesse, em toda a Igreja, “uma autêntica e sincera profissão da mesma fé”. Certamente, Bento XVI quer hoje também coibir os erros de doutrina que se espalham na Igreja.
O Papa Bento XVI começa dizendo que "não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida" (cf.Mt 5,13-16). "Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna" (Jo 6,27). O Santo Padre lembra que, na data de 11 de outubro de 2012, completam-se vinte anos da publicação do "Catecismo da Igreja Católica". Ele ressalta que convocou um Sínodo dos Bispos para o mês de outubro de 2012 tendo por tema "a nova evangelização para a transmissão da fé cristã". 
O Pontífice fala efusivamente da importância do Concílio Vaticano II: "Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça que beneficiou a Igreja no século XX. Nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa”. Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: "Se o lermos e recebermos, guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja”. Essas palavras do Papa fazem calar aqueles que se opõem ao Concílio.
O Ano da Fé, diz o Papa, é um “convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo” (cf. At4,12). Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias”. O Papa quer que, neste Ano da Fé, tanto as comunidades religiosas como as paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, “façam publicamente profissão do Credo”. Ele quer que cada crente “confesse a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança”. 
O Papa lembra que a profissão de fé não pode ser apenas algo privado, no silêncio dos lares e da Igreja, mas pública: "Por sua vez, o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso público. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um fato privado. A fé, precisamente por que é um ato da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita. No dia de Pentecostes, a Igreja manifesta, com toda a clareza, esta dimensão pública do crer e do anuncia a própria fé a toda gente”. Assim, o Papa pede uma ação clara contra o laicismo anticatólico agressivo que quer confinar a fé nas casas e nas igrejas.
Fortemente, o Papa Bento XVI chama a atenção para o uso do "Catecismo da Igreja" no Ano da Fé. "Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. o Beato João Paulo II escrevia: “Este Catecismo dará um contributo muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial (...). Declaro-o norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial”. “O Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de fato, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. 
Desde a Sagrada Escritura aos padres da Igreja, desde os mestres de teologia aos santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé. O Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja. Na mesma linha, a doutrina do Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado se for colocada em relação com a fé, a liturgia e a oração”.
E continua o Papa: “No ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural”.
Por fim, o Papa pede que, ao longo deste ano, mantenhamos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, “autor e consumador da fé” (Heb 12,2); pois “o justo vive pela fé” (Hab 2,3; Rm 1, 17; Gal 3. 11; Hb 10,38) e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6).

Perguntas para Reflexão:
1.      A Fé é atitude?
2.      Por que a fé funciona com uns e com outros não?
3.      Pode a fé anular a lei de Deus?  Rm 3,31
4.      A fé do crente (?) é suficiente para a salvação?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Espiritualidade do Leigo

Sacramentalidade da Liturgia, uma perspectiva pastoral!                                                                  Pe. Marcelo Fróes
           
Sacramentalidade é um conceito aplicado a toda a liturgia, para expressar que ela goza da mesma natureza dos sacramentos, e deriva da própria “economia da salvação”. Significa falar de modo pelo qual Deus nos salva. Esse modo é sacramental, isto é, mediado por uma linguagem simbólica. Em sentido profundo, não existe outra forma de comunicação com o ser humano.
            Jesus é o sacramento do Pai, e da mesma forma se entende a Igreja: é o sacramento de Cristo, na condição de seu Corpo e continuadora da sua missão. A sacramentalidade da economia da salvação é muito bem expressa pela LG 1 e pela SC 5-6. Dessa mesma economia deriva a sacramentalidade da liturgia, enquanto celebra a salvação e prolonga a ação salvífica de Cristo,o sacramento primeiro.
            Três aspectos delineiam a sacramentalidade da liturgia: a expressão significativa, o fato valorizado e a intercomunhão solidária. Fica claro que a expressão significativa são os ritos e símbolos da celebração cristã; o fato valorizado é o próprio mistério de Cristo; a intercomunhão solidária, a Igreja como Corpo do Senhor, do qual ele mesmo é a cabeça. A expressão significativa comporta duas dimensões: uma sensível e a outra não sensível. A parte sensível é o que vemos, tocamos, cheiramos, degustamos e ouvimos. A parte não sensível é o próprio mistério que confere sentido e densidade. Uma se orienta para a outra: a água que se vê e se toca conduz à purificação dos pecados, à comunhão com a morte e a ressurreição do Senhor, ao Cristo “água viva” que sacia nossa sede. O fato valorizado é a própria salvação realizada na pessoa de Jesus Cristo. É o “mistério da fé” que perpassa toda a liturgia e fecunda os sinais. Esse mistério, testemunhado pela Escritura e pela Tradição, não está encerrado no passado. Dois movimentos lhe dão acesso: ‘movimento descendente’- ele vem ao encontro da comunidade que celebra, tocando-a por meio da celebração. ‘movimento ascendente’ – ela, por sua vez, vai ao seu encontro por meio da ação memorial que realiza por meio dos ritos e preces (cf. SC. 48).
            A comunidade de fé é o sujeito da ação litúrgica. Mas essa ação só tem sentido em estreita comunhão com Cristo. E ele quem age nas celebrações por meio das pessoas dos ministros e da assembléia. A ação da Igreja se entende na perspectiva da íntima comunhão com o Senhor, com o seu corpo místico. Ao movimento ascendente da súplica e do louvor e adoração corresponde sempre ao movimento descendente da salvação, da bênção, da vida plena que Deus oferece.
            Que significa então participar plenamente da liturgia, levando em conta a sua sacramentalidade? Significa mergulhar na celebração, ação eminentemente simbólica, jogo de sinais. Tudo começa pelo sentido, que são a porta de entrada para uma participação efetiva.
            A falta de sacramentalidade corresponde à falta de participação. Somente se participa do mistério mediante uma dinâmica sacramental. Não se participa do mistério de Cristo por uma imagem projetada ou por um simulacro dos símbolos e ritos da Igreja. Os sinais precisam ser verdadeiros. Uma imitação de vela ou de flor não remete a nada. Além disso, é necessário permitir, favorecer a sua verdade. Um canto mal entoado por preguiça de freqüentar ensaios, uma fração do pão que não se vê uma leitura mal proclamada ou uma aspersão que não se sente não comunicarão o mistério.
            Jesus continua hoje, por meio da Igreja e da liturgia, sua obra redentora. Sentado à direita do Pai, ele continua a agir sacramentalmente: na Igreja, nos sacramentos, nas demais celebrações da liturgia, na missão de evangelizar e anunciar o reino de Deus.      

Fontes:

-BUYST, I. alguém me tocou! Sacramentalidade da Liturgia na Sacrosanctum  Concilium (SC), constituição conciliar sobre a Sagrada liturgia. São Paulo, n. 176, 2003;
- BARAÚNA, G. A participação ativa, princípio inspirador e diretivo da constituição litúrgica. IN: estudos e comentários em torno da constituição litúrgica do Concílio Vaticano II. Petrópolis: Vozes, 1964.
- LIMA, Pe. Danilo César dos Santos. O Uso dos aparatos técnicos nas celebrações. In: Revista Vida Pastoral, mês de Julho-Agosto, 2012, n. 285, p.21-25.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Espiritualidade do Leigo

A Alma que busca à Deus!

(...)Esta fome, que me acompanha por tantos anos, era a vontade de enxergar o que estava além de mim. Tentei de diversas maneiras, e agora encontrei o único caminho certo: através de Deus.


A alma procura Deus, como o ar quente busca as alturas, e os rios correm para o mar. A alma tem dois poderes: o desejo de buscar, e a capacidade de lutar por este desejo.

E a alma nunca perde seu caminho, da mesma maneira que a água não corre montanha acima. Por isso, todas as almas estarão em Deus, não importa quanto tempo isto demore.

O sal não perde suas propriedades, mesmo quando misturado a todas as águas do oceano. A alma não perde esta fome de Deus; ela é eterna, e um dia será saciada.

A alma jamais deixara de buscar a Deus. E quando o encontrar, irá descobrir que Ele também a estava buscando.»





Kahlil Gibran, em "Cartas de amor do profeta"

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Espiritualidade Litúrgica


Sendo o Ano Litúrgico divididos em três Ciclos: Ciclo do Natal, Ciclo da Páscoa e Tempo Comum, apresento as principais festas que incrementam aos ciclos:



08/01/12 - Epifania do Senhor
09/01/12 - Batismo do Senhor
22/02/12 - 4ª feira de Cinzas
08/04/12 - Páscoa da Ressurreição
20/05/12 - Ascensão do Senhor
27/05/12 - Pentecostes
03/06/12 - Santíssima Trindade
07/06/12 - Corpus Christi
15/06/12 - Sagrado Coração de Jesus
01/07/12 - São Pedro e São Paulo
19/08/12 - Assunção de N. Senhora
04/11/12 - Todos os Santos
25/11/12 - Cristo Rei
02/12/12 - 1º Domingo do Advento
25/12/12 - Natal do Senhor
30/12/12 - Sagrada Família

Espiritualidade Litúrgica


Oração da Equipe de Liturgia

Divino Espírito Santo, iluminai as nossas mentes, transformai os nossos corações! Que este estudo nos ajude a mergulhar no mistério da fé e da vida celebrada em comunidade. Dai-nos força e coragem, sabedoria e criatividade. Queremos organizar uma Pastoral Litúrgica dinâmica, a fim de que todo o vosso povo participe da liturgia de maneira mais plena, ativa e consciente.
Amém